Há uma verdade em cada verso, em cada palavra
carregada de tudo o que é belo, intenso, doloroso
como a verdade que se recolhe, calada,
em cada poético coração (anjinho)
Laura
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Um poema de Adélia Prado
Ensinamento
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Inspirações...
Olho para além dos edifícios cinza,
olho para os pés mal protegidos pelas solas gastas
e sigo, vagarosa e penosamente,
por entre ruas e vielas do velho centro.
obscuro e escondido pela névoa e pela chuva,
entre nuvens dispersas no céu de agosto,
em um clima lúgubre e pensamentos carregados,
entre pesoas decadentes que imploram por trocados,
jogadas na calçada da desesperança
São sonhos dispersos, abandonados,
fantasmas de um passado que não existe mais,
em seus rotos pensamentos.
Não...não vivo sob o ar europeu,
ou, sob a ordem do dia da estética vitoriana
São pessoas da cidade,
sem memórias, sem privilégios, sem sonhos,ou,
inspirações
Mas...há sempre um som...
vindo de algum lugar distante...
um som quase limpo, quase puro, quase nostálgico
De algum sopro perdido pela noite...
que me acalma e me lembra das vidas e esperanças que, ainda,
existem no mundo...
e me lembram de beber mais...um último drinque. (anjinho)
olho para os pés mal protegidos pelas solas gastas
e sigo, vagarosa e penosamente,
por entre ruas e vielas do velho centro.
obscuro e escondido pela névoa e pela chuva,
entre nuvens dispersas no céu de agosto,
em um clima lúgubre e pensamentos carregados,
entre pesoas decadentes que imploram por trocados,
jogadas na calçada da desesperança
São sonhos dispersos, abandonados,
fantasmas de um passado que não existe mais,
em seus rotos pensamentos.
Não...não vivo sob o ar europeu,
ou, sob a ordem do dia da estética vitoriana
São pessoas da cidade,
sem memórias, sem privilégios, sem sonhos,ou,
inspirações
Mas...há sempre um som...
vindo de algum lugar distante...
um som quase limpo, quase puro, quase nostálgico
De algum sopro perdido pela noite...
que me acalma e me lembra das vidas e esperanças que, ainda,
existem no mundo...
e me lembram de beber mais...um último drinque. (anjinho)
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Outro Poema de Cecilia
Canção (Cecília Meireles)
Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo...
Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo...
Um poema de Cecilia
Traze-me (Cecília Meireles)
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
-Vê que nem sequer sonho - amor!
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
-Vê que nem sequer sonho - amor!
Ah! Os Relógios...
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...
Mário Quintana - de A Cor do Invisível
Um Poema só para Jaime Ovalle, de Manuel Bandeira
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...
- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...
- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
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